Parei o que estava a fazer e pensei Lá vou eu... Saí do edifício e encaminhei-me ao local combinado. Um nervoso miudinho apoderava-se de mim. Quando o vi, o nervoso aumentou. Saiu do carro, sorridente, e dirigiu-se a mim confiante. Era tudo o que eu tinha imaginado que ele seria. Os seus olhos hipnotizaram-me de imediato, e penso que por breves momentos deixei de ter noção de onde estava: quando ele me agarrou a mão e deu, delicadamente, um beijo nela. Após uma breve troca de palavras, entrámos no carro e indiquei-lhe o caminho a seguir Vamos ver o mar, disse-lhe. Pelo caminho, conversámos. Sim, porque o silêncio tornava-se incómodo. A sua voz transmitia-me segurança, e falei-lhe de mim, da minha vida, dos meus desejos...
Estava vento na praia, e ao longe via-se o mar revolto. O sol estava quase a desaparecer entre aquele céu e mar azul pincelado de rosa. Saímos do carro e ele ficou ao meu lado enquanto apreciávamos a paisagem. Próximo. Muito próximo. Demasiado próximo.
As nossas mãos tocaram-se (e eu estremeci), os nossos olhares cruzaram-se (e eu perdi-me), e as nossas bocas aproximaram-se (e eu desejei), e demos um beijo ali, algures, com sabor a oceano. Demos por nós a entrar de novo no carro, sem qualquer vontade de ir em busca do tal café. Ou chá. A única vontade naquele momento era a de nos tocarmos. As mãos dele percorriam-me o corpo sobre a roupa, e eu gemia em silêncio. A boca dele beijava-me o pescoço, e eu pedia mais. As palavras deixaram de fazer sentido, e entregámo-nos a uma dança de gestos, de olhares e toques. De sensações e sabores. De prazer.
Do mar vinha aquela luz cega do pôr do sol, enquanto os vidros do carro se embaciavam e nos escondiam. Dois corpos conhecendo-se, desejando-se, possuindo-se...
Tão inocente…. Que pecados poderão vir daí? De tanta variedade que ali havia, opto por deixar que ele me sirva...
O que preferir, tanto faz
É bom. Muito bom. Servido com um pequeno toque de mão e muito olhar... Quente, como se quer... E perfumado.
Excelente escolha
O olhar presiste e a mão insiste... O aroma do chá embriaga-nos os sentidos. Outro gole, mais olhares, toques prolongados, sussurros ao ouvido... Finalmente o pousar das chávenas. Primeiro a dele, depois a minha, que retira gentil e lentamente da mão. E num repente a urgência das mãos hábeis, das bocas sofregas, dos corpos quentes... Bocas que se fundem no mesmo sabor, ao mesmo ritmo...
Uma pausa, o retomar da respiração, um gole de chá, olhos nos olhos, mais um gole.
De novo o abraço, o roçar de pele, a respiração ofegante e as chávenas definitivamene abandonadas… E o aroma persiste, os cheiros confundem-se, os toques acentuam-se e querem-se mais fortes. E há uma mão que nos guia, e outra que nos despe, mais uma que nos toca, e outras que se crispam num corpo tão desejado...